Tratamento de estenose da junção uretero pélvica

Figura 1
Figura 2
Figura 3

Pieloplastia Videolaparoscópica

A estenose de junção uretero-pélvica, mais conhecida como estenose de JUP é uma doença urológica relativamente comum e que se caracteriza pelo fechamento parcial ou total da junção entre a pelve renal e o ureter. Assim, a urina produzida no rim não tem livre passagem para a bexiga, levando a um acúmulo urinário dentro da pelve renal e, conseqüentemente, uma dilatação renal (hidronefrose). (figura1)

Devido à urina estagnada dentro da pelve renal, podem ocorrer complicações como dor crônica abdominal e no flanco (do mesmo lado da obstrução), infecção urinária de repetição e formação de cálculos renais (pedras nos rins). Além disso, dependendo do grau de obstrução, pode ocorrer perda parcial ou total da função renal.

A maioria dos casos é congênita, ou seja, desde o nascimento e que geralmente não são diagnosticados até se alcançar a vida adulta. Um menor número de casos tem origem secundária, causada após cirurgias sobre o rim ou pela passagem de cálculos. O tratamento padrão-ouro para o reparo da estenose de JUP tem sido por várias décadas a pieloplastia aberta, com taxa de sucesso acima de 90%. Não

obstante, o acesso aberto apresenta uma morbidade pós-operatória elevada, representada principalmente pela dor pós-operatória intensa, longo tempo de internação e de retorno às atividades normais com resultado estético ruim devido à flacidez da parede abdominal causada pela incisão lombar.( figura 2)

Após a primeira nefrectomia (retirada cirúrgica de um rim) realizada por via laparoscópica em 1990, esta via de acesso ganhou grande impulso na urologia. Em 1993, Schuessler realizou a primeira pieloplastia laparoscópica. Desde então, diversos grupos em todo o mundo têm relatado resultados excelentes com a realização da pieloplastia laparoscópica para o tratamento da estenose de JUP. A pieloplastia

laparoscópica desmembrada tem o potencial de reproduzir as taxas de sucesso da pieloplastia aberta e simultaneamente diminuir a morbidade pós-operatória em pacientes que são candidatos à cirurgia.

No mês de dezembro de 2014 foi realizado a primeira pieloplastia videolaparoscópica em Jataí em uma paciente que possuía estenose de JUP no rim direito e que apresentava quadro de dor lombar recorrente e refratária a uso de analgésicos. A cirurgia consistiu na remoção do segmento estenosado na junção uretero-pélvica e sutura cuidadosa da pelve renal no ureter, deixando-se um dreno interno chamado

cateter duplo J, para moldar a sutura e evitar um fechamento secundário (figura 3)

Após cerca de seis semanas, o duplo J foi removido por cistoscopia. Toda a cirurgia foi realizada por via laparoscópica, utilizando apenas 4 incisões de meio centímetro, e a paciente recebeu alta no segundo dia de pós operatório.( figura 4)

Cerca de 90% dos pacientes conseguem após a cirurgia, manter estável e até mesmo recuperar uma parte da função renal no rim afetado, evitando assim, a perda do rim.

Figura 4
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